
Ando a procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração,coisa de aço,
começa a achar um cansaço
está procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que faço,
- do que faço arrependida.
( Cecília Meireles)
ai, cecília!
ResponderExcluirsempre tão sensível *-*, acho fofos os poemas dela, traduzem perfeitamente a alma feminina!
=]