quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Drummond


As coisas que amamos,

as pessoas que amamos

são eternas até certo ponto.

Duram o infinito variável

no limite de nosso poder

de respirar a eternidade.


Pensá-las é pensar que não acabam nunca,

dar-lhes moldura de granito.

De outra matéria se tornam, absoluta,

numa outra (maior) realidade.


Começam a esmaecer quando nos cansamos,

e todos nós cansamos, por um outro itinerário,

de aspirar a resina do eterno.

Já não pretendemos que sejam imperecíveis.

Restituímos cada ser e coisa à condição precária,

rebaixamos o amor ao estado de utilidade.


Do sonho de eterno fica esse gosto ocre

na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

sábado, 21 de novembro de 2009

Alberto Caeiro


Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.

Mudo,mas não mudo muito.

A cor das flores não é a mesma ao sol

De que quando uma nuvem passa

Ou quando entra a noite

E as flores são cor da sombra.


Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.

Por isso quando pareço não concordar comigo,

Repare bem para mim:

Se estava virado para direita

Voltei-me agora para esquerda,

Mas sou sempre eu,assente sobre os mesmos pés-

O mesmo sempre, graças ao céu e à terra

E aos meus olhos e ouvidos atentos

E à minha clara simplicidade de alma...


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos,

e não tivesse amor,

seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia,

e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,

e ainda que tivesse toda a fé,

de maneira tal que transportasse os montes,

e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres,

e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado,

e não tivesse amor,nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno;

o amor não é invejoso;

o amor não trata com leviandade,não se ensoberbece.

Não se porta com indecência,não busca os seus interesses,não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas;havendo línguas, cessarão;havendo ciência, desaparecerá;

Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

Mas, quando vier o que é perfeito,

então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face;

agora conheço em parte,mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

(Coríntios 13)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol,por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Talvez umas das musicas mais lindas...




Você foi o maior dos meus casos

De todos os abraços

O que eu nunca esqueci

Você foi, dos amores que eu tive

O mais complicado e o mais simples pra mim


Você foi o melhor dos meus erros

A mais estranha história

Que alguém já escreveu

E é por essas e outras

Que a minha saudade faz lembrar

De tudo outra vez....


Você foi

A mentira sincera

Brincadeira mais séria que me aconteceu

Você foi

O caso mais antigo

O amor mais amigo que me apareceu


Das lembranças que eu trago na vida

Você é a saudade que eu gosto de ter

Só assim sinto você bem perto de mim

Outra vez


Esqueci de tentar te esquecer

Resolvi te querer por querer

Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade

Sem nada perder


Você foi

Toda a felicidade

Você foi a maldade que só me fez bem

Você foi

O melhor dos meus planos

E o maior dos enganos que eu pude fazer


Das lembranças que eu trago na vida

Você é a saudade que eu gosto de ter

Só assim sinto você bem perto de mim

Outra vez

terça-feira, 28 de julho de 2009

Fernando Pessoa


Ao longe, ao luar,
No rio uma vela
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Acontecimento

Haverá na face de todos um profundo assombro
na face de alguns risos sutis cheios de reserva
Muitos se reunirão em lugares desertos
E falarão em voz baixa em novos possíveis milagres
Como se o milagre tivesse realmente se realizado
Muitos sentirão alegria
Porque deles é o primeiro milagre
E darão o óbolo do fariseu com ares humildes
Muitos não compreenderão
Porque suas inteligências vão somente até os processos
E já existem nos processos tantas dificuldades...
Alguns verão e julgarão com a alma
Outros verão e julgarão com a alma que eles não têm
Ouvirão apenas dizer...Será belo e será ridículo
Haverá quem mude como os ventos
E haverá quem permaneça na pureza dos rochedos
No meio de todos eu ouvirei calado e atento,
comovido e risonho
Escutando verdades e mentiras
Mas não dizendo nada
Só a alegria de alguns compreenderem bastará
Porque tudo aconteceu para que eles compreendessem
Que as águas mais turvas contêm ás vezes as pérolas mais belas
(Vinicius de Moraes)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Clarice Lispector


"Eu sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico, fantástico e gigantesco: a vida é sobrenatural. E caminho segurando um guarda-chuva aberto sobre a corda tensa. Caminho até o limite do meu sonho grande.(...)Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço. (...) Para onde vou? e a resposta é: vou."


terça-feira, 9 de junho de 2009

Nosso amor

Nosso amor é mar em fúria,
Que se acalma de repente…
Como brisa de outono,
Envolve e fascina a gente…
Nosso amor é cavalgada
De alazões na amplidão,
Colibris em revoada,
Espalhando emoção…
Tempestades de carícias
Emergem de nosso amor,
Tufões de incríveis delícias,
Ondas de fértil sabor…
É um misto instigante
De potência e ternura,
De aromas multicores,
De meiguice e loucura…
Nosso amor é inocente
Qual sorriso de criança,
São grilhões que nos enlaçam
Em amarras de bonança…
Cada abraço é um pedido,
O pedido, uma promessa,
De quem anseia doar-se,
De quem amar sente pressa...
Enfim…
….o nosso amor é assim...
Um viajante do tempo,
Que mescla adoravelmente
O passado e o futuro
Em nosso eterno presente…
(Fernando Pessoa)

Fernando Pessoa


Eu amo tudo o que foi,

Tudo o que já não é,

A dor que já não me dói,

A antiga e errônea fé,

O ontem que a dor deixou,

O que deixou alegria,

Só porque foi e voou,

E hoje é ja outro dia

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nel mezzo del camin


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada

E triste, e triste e fatigado eu vinha.

Tinhas a alma de sonhos povoada,

E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada

Da vida: longos anos, presa à minha

A tua mão, a vista deslumbrada

Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida

Nem o pranto os teus olhos umedece,

Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,

Vendo o teu vulto que desaparece

Na extrema curva do caminho extremo.


(Olavo Bilac)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Clarice Lispector

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."

"Não é que vivo em eterna mutação ,com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e Deus."

"Isto não é um lamento. É um grito de ave de rapina, irisada e intranqüila."

terça-feira, 12 de maio de 2009

Das Utopias


Se as coisas são inatingíveis...ora!

Não é motivo para não quere-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

a mágica presença das estrelas!


(Mário Quintana)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

"A sabedoria não consiste em ser perfeito, mas em saber que não somos e ter a habilidade de usar nossa imperfeição para compreender as limitações da vida e amadurecer (...) Só uma pessoa incompleta precisa de novas conquistas."
(Augusto Cury-A Ditadura da Beleza)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas-
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama
;Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu

(Álvaro de Campos)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A vida é como uma tv:
Você pode ver colorida ou em preto e branco;
depende da sua sintonia!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Lua adversa


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha .


Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.


E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chegar esse dia,

o outro desapareceu...


(Cecília Meireles)

Canção excêntrica


Ando a procura de espaço

para o desenho da vida.

Em números me embaraço

e perco sempre a medida.


Se penso encontrar saída,

em vez de abrir um compasso,

protejo-me num abraço

e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,

é já distância perdida.


Meu coração,coisa de aço,

começa a achar um cansaço

está procura de espaço

para o desenho da vida.


Já por exausta e descrida

não me animo a um breve traço:

- saudosa do que faço,

- do que faço arrependida.



( Cecília Meireles)

segunda-feira, 20 de abril de 2009


Tens a carência de uma menina

E a sensibilidade de uma mulher

E em seu corpo de mulher

A fragilidade de uma menina

Atrás de um sorriso de menina

Amas como uma mulher

E em seu olhar de mulher

Há a euforia de uma menina

Podia pedir a você

Para ser decidida

Menina ou mulher

Mulher ou menina

Mas o contrário te peço

Continue tal

Continue sendo

Assim especial

Menina Mulher

Mulher menina

Menina e mulher

Mulher e menina

"Chegará o dia em que, depois de utilizar o espaço, os ventos, as marés e a gravidade, o homem vai implorar a Deus para utilizar a energia do amor.
E, nesse dia, pela segunda vez na história do mundo, teremos descoberto o fogo."


(Teilhard de Chardin)

Talvez esse texto ja esteja meio manjado...mas eu o adoro mesmo assim!


Filtro solar!Nunca deixem de usar o filtro solar.Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar!

Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência,

já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.

Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...


Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,e perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia,quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente.E como você realmente estava com tudo em cima,você não está gordo ou gorda...


Não se preocupe com o futuro.Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada,e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.


Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.


Cante.


Não seja leviano com o coração dos outros.Não ature gente de coração leviano.

Não perca tempo com inveja.Às vezes se está por cima,às vezes por baixo.A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo.


Não esqueça os elogios que receber.Esqueça as ofensas.Se conseguir isso, me ensine.


Guarde as antigas cartas de amor.Jogue fora os extratos bancários velhos.


Estique-se.


Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois anos ,o que queriam fazer da vida.Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.

Tome bastante cálcio.

Seja cuidadoso com os joelhos.Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.Talvez tenha filhos, talvez não.Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você.As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,é assim para todo mundo.


Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,é o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.


Dance.Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.


Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.


Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio.


Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.


Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.


Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.


Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.


More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.


More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.


Viaje.


Aceite certas verdades inescapáveis: Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,e as crianças respeitavam os mais velhos.


Respeite os mais velhos!!E não espere que ninguém segure a sua barra.

Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.

Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.


Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.


Cuidado com os conselhos que comprar,mas seja paciente com aqueles que os oferecem.Conselho é uma forma de nostalgia.Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo,esfregá-lo,repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.


Mas, no filtro solar, acredite.

sábado, 4 de abril de 2009

Felicidade!

"Quantas vezes a gente,
em busca de ventura,
procede tal e qual o avozinho infeliz:
em vão,por toda parte,os óculos procura,
tendo-os na ponta do nariz!"
(Mário Quintana)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ah Drummond...vc é o cara!!!


"A cada dia que vivo,mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca,e que,esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.A dor é inevitável.O sofrimento é opcional."

"Andá com fé eu vou, que a fé não costuma "faiá"..."

"Como um mutante...no fundo sempre sozinho!!"



Enquanto não superarmos

a ânsia do amor sem limites,

não podemos crescer

emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos

a dor de nossa própria solidão,

continuaremos

a nos buscar em outras metades.

Para viver a dois, antes, énecessário ser um.

(Fernado Pessoa)